De um a zero

Abril 5, 2008

Vazio.
É o que eu sinto desde que despertei para o mundo.
Tempos atrás as coisas eram belas, tudo tinha um motivo e tudo tinha um final feliz. Tudo era como deveria ser.
Agora, tudo mudou. Consigo perceber alem da fachada que fizeram sobre a “realidade”.
Tudo é cinza, tudo é irracional, não há felicidade.

Cada vez mais eu me deparo com atitudes que a mim parecem insanas.
Necessidade de auto-afirmação? Talvez seja.
Não posso generalizar.
Mas o fato é que percebo cada vez mais que a dinâmica do mundo é tão incoerente que submete a vida a uma existência cada vez mais vã.

Cada vez mais percebo que o poder é o mecanismo que predomina sobre as relações sociais. A chave de tudo.

Procura-se o poder em todos os aspectos da vida.
Do nascer à morte. Esse é o valor primordial que nos é passado. Instrumento regulador da vida.

Desde o nascimento, filhos são doutrinados a superarem os pais, serem melhor do que eles, afetivamente e economicamente. Seria isso uma crise de auto-estima generalizada?
Não consigo entender tanta fixação na superação. Se a vida é tão efêmera, que adianta?
Superação nem sempre significa satisfação.
Antes de mais nada, procuro a satisfação.

Por este motivo, a busca pela realização pessoal, livre de dogmas e paradigmas, percebo o quão insignificantes são nossas bases de sustentação.
Sobre areia estão apoiadas, mas uma areia especial, que se molda de acordo com a maré, mas não desmancha os pilares, isto porque o homem tem a incrível capacidade de se adaptar em vários ambientes não favoráveis a uma vida plena e satisfatória.
Mas, “tudo” tem seu preço.
Cada vez mais somos alvos de doenças psicológicas causadas por uma forma de vida maçante e insatisfatória.
Estamos cansados, mas nem ao menos fizemos algum esforço.

A superação elevada como dogma intocável, objetivo primordial da vida, subjugou a importância da satisfação e da felicidade.
Mas, que é o homem?
Que é a vida, se não a busca pela satisfação?
Sem ela não somos nada.
E por não acha-la, me sinto nada.

Sinto-me nada.
Ainda mais depois de gastar tempo e saúde mental, atrás de algo, que como tudo, é efêmero.
No fim, percebo mais e mais contradições, incoerências, irracionalidade, em mim e no mundo.

Como objetos de desejo, são as pessoas.
Mercadorias embaladas.
E, como no comercio, aquele que tem melhor publicidade vende mais.
Por mais que sua utilidade seja duvidosa, o fetiche move o desejo.
A lógica capitalista estende seus tentáculos sobre a vida social.
Sintoma da alienação total.

Uma analogia simples, mas para mim, muito consistente.
Ao menos assim que cada vez mais vejo as coisas.
E vou perdendo as esperanças.
Haveria uma solução rápida?

Do um ao zero.
Tudo a nada.

15/04/07

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