A Critica da Representação.
Abril 5, 2008
Pimeiramente, gostaria de tomar atenção sobre um “fato” que as pessoas parecem não compreender…
Questiona o conservador ou o cético, qual seria a validade de um discurso que é proclamado por alguém que não cumpre a totalidade da sua crítica?
Eu diria que a validade deste discurso é total e não pode ser questionada por estes simples argumentos.
Contraditório, não? Não. Desqualificar quem disserta sobre um determinado tema sem que necessariamente o viva, é, também, desqualificar a sua critica sobre certo tema, critica que independe de sua condição e de suas atitudes.
Para exemplificar:
tome um bêbado proferindo um discurso contrario ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Sua condição de bêbado desqualifica sua critica ao alcoolismo? As correntes que pregam alguém a um vicio ou certa atitude o impede de que critique tal atitude?
Ou essa critica deveria ser levada a serio como uma tentativa humilde de reconhecer seus erros e falhas, mesmo que a ele estejam atados por fortes grilhões?
A Critica da Representação.
Há muito tempo eu gostaria de expor a minha opinião e análise acerca deste delicado assunto que é a vivência da vida através de uma representação fria e imperfeita da realidade.
Primeiramente gostaria de tomar como objeto de indagação o que seria a realidade.
O que é real?
Muitas coisas poderiam ser ditas sobre o que é real. Mas como poderíamos definir a realidade?
Seria real a totalidade de nossas vidas? Afinal, existimos e interagimos com o meio que habitamos. Mas, seria essa interação uma interação verdadeira?
Se analisarmos a maneira de como nós, seres humanos, interagimos com o meio que nos rodeia e com outros membros de nossa espécie certamente chegaríamos a conclusão de que a linguagem falada ou escrita é o principal meio de comunicação com tal mundo.
Bem, mas o que é linguagem escrita ou falada?
Linguagem:
s. f.,
expressão do pensamento, por meio de palavra;
qualquer meio de exprimir o que se sente ou pensa;
conjunto de sinais, visuais ou fonéticos, através dos quais se estabelece a comunicação;
idioma;
estilo;
voz dos animais.
Sim a grandiosa linguagem, que seriamos sem ela? Poderíamos ter chegado a um nível tão avançado tecnologicamente? Nossa espécie seria a dominante no planeta? Nossa capacidade de raciocínio tão poderosa? Nossa capacidade de comunicação tão estendida?
Não sei dizer ao certo, mas qual custo pagamos por termos desenvolvido esta linguagem?
O mundo percebido através da linguagem, um pensamento expresso por meio da linguagem, que seria?
Seria a linguagem tão perfeita e onipotente a ponto de conseguir representar ou até substituir a realidade em sua mais pura e vigorosa forma?
Sim, não? Que importa, a linguagem não passa de uma representação. Fiel ou não ao que se entende por real, que é ela perto da grandiosidade do real?
Que é um filme, uma foto, perto da vivência do momento representado por ela?
Nada! Uma mera copia imperfeita daquele momento, copia traçada por um determinado foco, sempre unilateral e rígido!
É assim também com a realidade percebida através da linguagem que a representa e a reproduz em sua forma sempre rígida e formal.
A linguagem subjuga todo e qualquer momento a uma simples representação, a uma regra, a uma palavra pré-estabelecida anteriormente que a nós é imposta e aceita passivamente.
Para todo momento vivido há uma palavra pré-disposta a descrevê-lo, uma regra disposta a subjugá-lo a um frio monte de caracteres ou sons subjetivos e vazios de sentido.
O real se dissipou em meio ao vazio da representação. Se o avanço de nossa sociedade está inevitavelmente ligado ao avanço da linguagem então estamos cada vez mais atados a suas apertadas amarras que nos impedem de vislumbrá-lo.
A separação entre sujeitos (pessoas, idéias) por meio de objetos (representações) deturpou a vida e a esvaziou de sentido.
Se vivemos uma ilusão, qual é o sentido de continuarmos vivendo-a?
A todo momento o que vivemos é uma copia, plagio imperfeito, transcrição rápida sem sentido, sem profundidade, sem qualidade.
Até mesmo esse texto em que tento descrever o vazio da linguagem é representado por ela mesma, a linguagem, com todas as suas regras, toda sua potencia. E mesmo assim, este emaranhado de letras que se faz perceber, não chega nem perto do que é presente em minha consciência como idéias e reflexões.
O abismo entre o que se expressa e o que se vive é enorme.
Nos comunicamos através de expressões que nada mais são do que representações de uma vivência “real”. Ao serem exprimidas, por meio de letras ou palavras, elas tem, na visão do autor, uma grande similaridade com o fato vivenciado. Mas, ao ser percebida pelo outro, essa representação toma um sentido levemente modificado e adaptado a seus valores e conceitos, e assim passada a diante.
Em certo ponto verificamos a completa alienação da representação de seu sentido originário, deturpada pelas deficiências de sua forma complexa e subjetiva e pela sua condição simplória de objeto de ligação entre sujeitos.
Tal deturpação gera conseqüências boas e ruins.
Atados a linguagem, a veneramos como elemento primordial e inseparável da vida humana dita digna. Cultuamos sua forma, sua estética, suas regras.
Exprimimos o nosso poder intelectual pelo domínio desta, e subjugamos aqueles que não a dominam ao ostracismo. Para nós aqueles que não se expressam através dela não vivem inteiramente. Sub-humanos, certamente, serão chamados.
Poderia a linguagem ser usada de uma forma que não englobe totalmente o mundo em que vivemos, que não estenda seus tentáculos e distorça tudo o que toca?
Não sei dizer ao certo, mas é necessário que tomemos cuidado com a linguagem. Apesar de ser uma poderosa forma de conseguirmos nos expressar e perceber o mundo, ela nos aliena da vivência e da expressão real, nos da um caminho de mão única.
A critica se faz presente e se impõe contra tudo que subjugue o homem e o prive da absoluta liberdade. Enquanto estivermos atados a uma linguagem rígida, unilateral e onipresente não seremos em absoluto livres.
6/07/07
ps: Revisado.
De um a zero
Abril 5, 2008
Vazio.
É o que eu sinto desde que despertei para o mundo.
Tempos atrás as coisas eram belas, tudo tinha um motivo e tudo tinha um final feliz. Tudo era como deveria ser.
Agora, tudo mudou. Consigo perceber alem da fachada que fizeram sobre a “realidade”.
Tudo é cinza, tudo é irracional, não há felicidade.
Cada vez mais eu me deparo com atitudes que a mim parecem insanas.
Necessidade de auto-afirmação? Talvez seja.
Não posso generalizar.
Mas o fato é que percebo cada vez mais que a dinâmica do mundo é tão incoerente que submete a vida a uma existência cada vez mais vã.
Cada vez mais percebo que o poder é o mecanismo que predomina sobre as relações sociais. A chave de tudo.
Procura-se o poder em todos os aspectos da vida.
Do nascer à morte. Esse é o valor primordial que nos é passado. Instrumento regulador da vida.
Desde o nascimento, filhos são doutrinados a superarem os pais, serem melhor do que eles, afetivamente e economicamente. Seria isso uma crise de auto-estima generalizada?
Não consigo entender tanta fixação na superação. Se a vida é tão efêmera, que adianta?
Superação nem sempre significa satisfação.
Antes de mais nada, procuro a satisfação.
Por este motivo, a busca pela realização pessoal, livre de dogmas e paradigmas, percebo o quão insignificantes são nossas bases de sustentação.
Sobre areia estão apoiadas, mas uma areia especial, que se molda de acordo com a maré, mas não desmancha os pilares, isto porque o homem tem a incrível capacidade de se adaptar em vários ambientes não favoráveis a uma vida plena e satisfatória.
Mas, “tudo” tem seu preço.
Cada vez mais somos alvos de doenças psicológicas causadas por uma forma de vida maçante e insatisfatória.
Estamos cansados, mas nem ao menos fizemos algum esforço.
A superação elevada como dogma intocável, objetivo primordial da vida, subjugou a importância da satisfação e da felicidade.
Mas, que é o homem?
Que é a vida, se não a busca pela satisfação?
Sem ela não somos nada.
E por não acha-la, me sinto nada.
Sinto-me nada.
Ainda mais depois de gastar tempo e saúde mental, atrás de algo, que como tudo, é efêmero.
No fim, percebo mais e mais contradições, incoerências, irracionalidade, em mim e no mundo.
Como objetos de desejo, são as pessoas.
Mercadorias embaladas.
E, como no comercio, aquele que tem melhor publicidade vende mais.
Por mais que sua utilidade seja duvidosa, o fetiche move o desejo.
A lógica capitalista estende seus tentáculos sobre a vida social.
Sintoma da alienação total.
Uma analogia simples, mas para mim, muito consistente.
Ao menos assim que cada vez mais vejo as coisas.
E vou perdendo as esperanças.
Haveria uma solução rápida?
Do um ao zero.
Tudo a nada.
15/04/07
Pensamento.
Março 11, 2008
Realidade… Algo difícil de definir, alguns chamam o que vivemos de real… preferia que não.
Triste imaginar que isto que vivemos é real, atitudes vazias, sem sentido, nos mutilando em meio a nossas competições diárias pelo reconhecimento alheio.
Qual o sentido de nossas atividades cotidianas? Estudar para ser um enlatado de conhecimento inútil e vender este conhecimento e nosso precioso tempo (?) para acumular dinheiro e gasta-lo em coisas simbólicas a fim de preencher nossa mortalidade com sensações falsas de poder e status?
Triste é ver como são desperdiçadas vidas inteiras, dominadas por sentimentos individualistas, egoístas e conformistas guiados por uma moral imposta e por uma verdade inquestionável.
Não se apegue a idéia de que algo te espera após a morte, isto não foi e nunca será uma certeza, você sabe muito bem disso. Aceite que a vida é aqui e agora, nua e crua, sem graça e fria. Sim esta é a única “certeza” que você terá em toda sua “vida”.
“Vida” esta que não tem sentido em sua totalidade. Começo, meio e fim, e.? Acaba. Assim como tudo tende a acabar. Todos momentos de alegria, tristeza, paixão, ódio, deslumbramento, indiferença… Tudo não tem mais valor, é destruído eternamente no fim.
Há aqueles que sonham em ser lembrados após a morte, de alguma forma, como tiranos, heróis, reis, sábios. Mas, o que lhes trouxe tais lembranças? Fama? Sim, mas isto contribui com algo? Estão mortos, por mais que sejam lembrados, permanecem como lembranças de outrora. Sua morte continua, e não há como muda-la.
Idéias sim, resistem o tempo, mas qual sentido em ideologias que pregam um orgulho mesquinho e a intolerância? O que o torna diferente? Sua cor, língua, país, cultura, status, dinheiro? . Estas “diferenças” não significam nada perto das suas semelhanças. Somos iguais, nascemos e morremos, temos os mesmo sentimentos e anseios.
Mas a brutalidade de nossa sociedade massificadora destruiu nossos laços com a realidade. Somos levados a nos vermos como seres únicos, eternos, semi-deuses, e este orgulho mesquinho somado a “eterna” competição pelo poder, fama e sucesso faz com que fiquemos embrutecidos pela ignorância em meio a tanta “informação” e passemos a enxergar a vida como algo mais complexo do que ela realmente é.
Acordamos cedo, para que tenhamos “tempo” de “trabalhar”, para assim ganharmos dinheiro, mas não o suficiente para se “viver”, e sim para ostentar, comprar, desfrutar. Mas, como? Não temos o “tempo” para isto; nossas férias e feriados, não suprem nossa demanda por atividades que realmente façam sentido. Em meio a todo esforço, não se aproveita nada. Trabalhamos para viver, ou vivemos para trabalhar? Afinal, trabalhamos para quem e por quê?
De certo não é para o bem de todos e muito o menos para o nosso próprio bem. Se assim fosse, não sentiríamos este vazio de sentido, e nem fugiríamos do trabalho quando nos apresentada uma boa oportunidade.
Será que a vida humana se resume isto? Somos frutos do nosso trabalho, mesmo que este não faça sentido real para nós?
Pra que se comemorar um aniversário se contar a idade, os anos, datas, meses? Queria eu me lembrar não de anos e datas, mas sim do tempo, do clima, da paisagem, me lembrar dos verões e invernos. Nem quero saber o quanto já vivi, e perceber o quão perto estou do meu fim.
A realidade é algo indefinível, mas ao mesmo tempo nos desfruta grande curiosidade. Queria estar sonhando, apenas um incomum sonho de um “eu” que desfruta da mais simples e ingênua vida que se poderia ter, aproveitando seus momentos em meio a uma harmoniosa vida na praia num dia de verão.
o papel da música.
Março 11, 2008
Primeiramente, percebemos que a música, a certo tempo, teve sua trajetória ditada não só pelos anseios dos músicos e dos instrumentos dispostos em cada época, mas também seguiu a trajetória do poder político ou econômico. Com sua temática variando de acordo com os anseios do poder.
Por função de exemplo, as temáticas musicais na idade média seguiam as idéias ditadas pela igreja católica, que era o órgão detentor de grande parte do poder ideológico e coercivo.
Estabelecida a relação, prossigo com a análise para com os dias de hoje.
Hoje, observamos uma grande “descentralização” do poder, já que este não é mais centralizado em um órgão coercivo, como seria o estado absolutista, e nem em um órgão de grande influencia ideológica, como a igreja católica, o poder está centralizado na posse do capital.
Observado tal fenômeno e em comparação com o anterior, estabelece-se uma relação entre a música composta contemporaneamente e a nova forma de poder que agora é obtido com a posse do capital.
Mas, para provar tal teoria, deveríamos fazer uma análise sobre a situação da musica popular.
Musica popular, antigamente era definida, assim como tudo que levava o rotulo popular, como música feita pelo “povo”, música “marginal”. Feita por aqueles que não detinham conhecimentos teóricos, mas mesmo assim se organizavam e executavam a musica em suas diversas formas. (Hoje em dia a noção de popular é de música ou objeto feita para ser vendida ao povo)
O mesmo “povo”, que fazia aquela música, consumia as idéias e o som transmitido por elas. Pois aqueles mesmos sentimentos de exclusão, descriminação, dominação e etc. que eram vivenciados pelos compositores eram vivenciados tambem pelos apreciadores.
Seguindo a lógica capitalista, que visa a extração do lucro e a transformação de vários aspectos da vida em mercadorias, criou-se a propriedade intelectual e as patentes.
A partir daí o surgimento de empresas e corporações que tem seus negócios baseados na comercialização de produtos e idéias baseadas no conceito da propriedade intelectual foi inevitável.
Esta nova modalidade de negocio abriu portas para o surgimento de o que hoje chamamos de gravadoras.
Não sei como se foi dado o processo de forma detalhada, mas o fato é que o poder econômico das gravadoras foi aumentando vertiginosamente a partir da venda dos discos de seus músicos afiliados, que também lucravam com tais vendas.
De certo isso foi beneficiado com as novas formas de comunicação de massa, como o radio, a televisão e mais tarde a internet. Que ajudaram na reprodução não só dos valores que hoje vemos impregnados nas músicas, como também na reprodução e perpetuação das ideologias dominantes (de massa).
Essa ideologia, retomando o conceito acima, surgiu no seio popular da sociedade. Seus valores eram os valores presentes naquele meio que era segregado e explorado pelas classes mais elevadas.
Então o que se observa é bastante simples.
A busca por novos mercados consumidores fez com que as grandes empresas, aliadas a novos meios de comunicação e sustentadas no conceito de propriedade intelectual, buscassem no âmbito popular os músicos e estilos que se sobressaíam.
Uma vez encontrado novos “talentos” e “modas”, as empresas pegavam os músicos e ofereciam todo o suporte para que ele seguisse sua carreira, mas com algumas condições. Como o de que ele tratasse de temas considerados menos controversos. E em troca do apoio, ela receberia uma grande parte do lucro de suas vendas.
Assim, aliando-se os novos meios de comunicação com a disponibilidade de dinheiro para a promoção do artista, criava-se um enorme contingente de consumidores para aquele compositor e para o estilo de música de suas composições. Aparecendo esse surto com o nome de moda.
Motivados pelo sucesso econômico e social, despertava, em uma legião de músicos, a vontade de seguir o mesmo caminho do bem sucedido. Assim uma nova tendência surge, a música se torna um novo meio de ascensão social e econômica.
Mas, observe que tal fenômeno não foi gerado naturalmente. Foi sim realizado com o monopólio dos meios de comunicação e acordos comerciais entre os detentores desses e os detentores dos direitos sobre a música exposta.
A transformação da música em mercadoria foi ocorrendo em etapas graduais e hoje o que vemos é uma total associação dessa ao capital.
Observando as tendências dos novos compositores constata-se padrões que estranhamente se repetem e não se cansam.
Padrões como a temática do amor, poder, paixão, machismo, etc.
A pergunta seria, porque tais padrões se mantém durante tanto tempo.
A resposta é clara, a superficialidade das relações criou uma serie de patologias sociais e o que observamos na temática das músicas é reflexo destas patologias.
A superficialidade das relações humanas desencadeou uma crescente necessidade de afeto e carinho. Ocasionando a supervalorização do amor. Mas esse não como meio de se alcançar a felicidade, e sim como objetivo da felicidade.
A subordinação da felicidade ao amor foi devido, dentre outros fatores, a esta nova patologia que se caracteriza pela falta de relações verdadeiras e próximas entre as pessoas.
Isto fez com que a temática do amor esteja sempre presente nas letras de músicas “populares”.
O problema de tal ocorrência consiste no fato de que esta abordagem contribui cada vez mais para a idealização de tal sentimento, tornando sua vivencia impossível. Pois o poder da palavra idealizada supera a vivencia real.
A ganância por poder é constantemente reproduzida nas músicas atuais. Fenômeno observado pela extravagância de adereços utilizados pelos músicos e a afirmação de seu “poder” em suas letras e atitudes.
Tal ocorrência se faz necessária porque, como hoje em dia nos afirmamos como membros da sociedade quando e somente quando possuímos capital ou realizamos atividades que possam ser vendidas em troca deste. Então, alguns músicos buscam se afirmar como indivíduos detentores de capital e poder utilizando como meio a extravagância de suas posses e a temática de suas letras.
O machismo é representado e reproduzido nas musicas que falam sobre o amor, que é, em sua concepção ocidental judaico/cristã, machista.
E na questão do poder, que muitas vezes se fez objeto de posse exclusivamente masculina.
O machismo também é facilmente observado também na forma com que é representada a dança a que se refere à musica, na função desempenhada por cada sexo em sua atuação.
Em conclusão, observamos a alienação da musica à ideologia dominante do poder.A separação e deturpação dos valores de vários estilos de música surgidas em âmbito popular e a implementação de valores conservadores,conformistas e reacionárias nas temáticas abordadas comumente hoje pela musica de massas.
13/03/2007
ps: Revisado.
Realidade?
Março 11, 2008
Conceitos, firmemente defendidos e tidos como únicos e verdadeiros, são, no máximo, verossímeis.
E, ao sentir as contradições, agimos como se fosse algo ora passageiro ora imutável.
Naturalizamos diversos conceitos que são estranhos aos nossos imperativos biológicos, idealizamos sentimentos e nos distanciamos cada vez mais da vivencia real em favor de imagens e simulacros.
As representações tomaram conta de todas as relações, o puro, não representado, já não existe.Não podemos desfrutar as sensações como elas são, em seu estado natural.
A linguagem, ao representar e apresentar todas as experiências ao indivíduo, faz com que ele anteveja o que estar porvir. O elemento surpresa foi embora.Com ele, talvez, a graça da vida.
Surgem contradições entre o que é vivido e o que é idealizado. E elas podem levar as mais diversas reações.
Ao ter o fim a sua própria reprodução, o poder se apropria de todas as relações. Fazendo com que o indivíduo passe a viver não mais em função da felicidade, mas sim do poder. Alienando-se do que, no meu ver, é o sentido maior da vida.
27/02/07
Ps: Revisado.
Pena de Morte?
Março 9, 2008
Sempre ouço os mesmos argumentos a favor da pena de morte.
Pensem comigo, o que é uma vida? Quanto vale uma vida?
Sabe, às vezes eu fico pensando na reação das pessoas quando se deparam com crimes cruéis em sua estética e doentio em seus motivos. Acho que elas tem a reação de ódio por simples e pura defesa. Tais crimes revelam a face mais obscura da natureza humana. A mortalidade e a fragilidade da vida.
Sim, é tudo sobre isso, e o que mais poderia ser?
Escarramos nosso ódio contra os assassinos pois temos medo. O medo da morte nos cega completamente. Não podemos ser mortais, a vida não é tão curta e sem sentido como parece ser. Tem algo alem, bastardo, assassino, verme, marginal, deve morrer por ter me feito pensar que poderia ter sido EU!
Posso estar errado, mas tenho a impressão de que essa é de certa forma a reação de algumas pessoas a se depararem com um crime que faz frente a sua segurança para com a sua vida.
Não defendo os assassinos, de forma alguma. Mas parem pra pensar, seu ódio é contra o assassino, contra seu ato, ou contra o seu próprio sentimento de insegurança?
Mata-lo aliviaria seu medo? Mata-lo traria a sua vitima de volta à vida? Mata-lo satisfaria seu desejo de vingança?
Mas, a questão não é essa.
Falam da pena de morte como algo de grande eficiência na manutenção da ordem. Eu digo, olhem melhor para este meio.
Será que isso não é mais outra solução paliativa e que em longo prazo se desgastará, se tornando algo tão banal que seu efeito será neutralizado e talvez potencialize o que ele se propõe a combater?
Olhem alem das conseqüências, procurem as causas.
Quais serão as causas de tantos crimes hediondos? Qual será a causa de tantos seqüestros, assassinatos, estupros e etc.? Será que eles o fazem porque sentem prazer? Existe aquele ditado de que bandido mata porque gosta.
Assim a culpa seria inteiramente deles.
Normalizados por meio do controle familiar, da escola e por meio das nossas relações cotidianas, acabamos por reproduzir e perpetuar as valores e características comuns a nossa sociedade. Uma das características mais explicitadas em nossa cultura é a da busca do poder.
Mas, todo aquele que deseja exercer a dominação e o poder o faz sobre algo ou alguém. E este alguém assumirá a característica de dominado, submisso. Assim chega-se a contradições entre algumas de nossas aspirações universalizadas e sua possível realização universal.
A partir de contradições semelhantes, encontradas a cada momento em nossa vivência, formam-se traumas em cada individuo. Doenças de cunho psicológico e deformações do senso critico que se manifestam em ações discrepantes do normal.
Estas atitude podem ser a síntese da contradição entre o nosso modus vivendi e a natureza humana/animal sem influência da cultura.
A diferença entre o verdugo e o criminoso se da no fato de que ele, por sofrer as conseqüências destas contradições em um nível muito menor, não sofre grandes deformações em seu agir. Já o criminoso, por sofrer os efeitos das contradições em proporções muito maiores que nós, sintetiza na atitude desvios de comportamento muito maiores.
As reais causas deste problema social (o crime) vivem nos pilares de nossa sociedade.
Se querem efetivamente combater os crimes hediondos, deveriam pensar mais nas suas reais causas. Fazer uma análise profunda, para que assim se possa julgar melhor quais seriam as atitudes a serem tomadas.
Punir no indivíduo as conseqüências de uma série de falhas que se encontram fora dele não resolverá o problema.
14/02/2007
Ps: Revisado.
Etimologia do Amor?
Março 8, 2008
Todos os dias ouço tal palavra. De certo alguns juram experimentar tal puro sentimento com suas amantes.
Naturalizamos a idéia de que o amor é possível e que ele é realmente experimentado. Lemos romances, vemos filmes e novelas, temos namoradas, esposas, amantes.
Mas isso é realmente amar?
Somos animais, embora neguemos tal vinculo, tomamos atitudes que são guiadas pelo instinto.
Que mal há nisso?
Nenhum, desde que nossa cultura fosse ao encontro destes instintos.
Ao invés de valorizarmos os relacionamentos como algo natural, tornamo-os algo maior do que realmente são. Foi introduzido a moral, o pudor, o status e o poder.
Há certas regras vigentes em nossa sociedade que tornaram a socialização algo mais difícil do que ela naturalmente é.
De certo na natureza existem “regras” para que se concretize a reprodução. O fato é que tais regras tem como objetivo garantir a sobrevivência da espécie e o melhoramento de suas características individuais.
No nosso caso, tais “regras” já “convencionadas” pela cultura garantem não a sobrevivência da espécie humana e muito menos o melhoramento de nossas características biológicas. Garantem sim a manutenção da cultura e a reprodução de nossos valores.
Desfigurados por mecanismos de controle. Não somos indivíduos. Somos uma massa disforme de pessoas com várias doenças sociais e com medo de admitirmos tais aberrações.
O status deturpou a socialização. Buscamos não o que nossos instintos querem e sim o que a sociedade valoriza. O pudor destruiu a beleza do sexo, somos inibidos de nossas reais vontades para que não entremos em choque com a moral. Embora a falta dele, por parte do homem, seja algo louvável e tomado como ação afirmativa da masculinidade.
Em meio a tanta degradação surgem fetiches, válvulas de libertação. Na cama as pessoas revelam suas vontades, o prazer é o objetivo, não importando o meio.
O fato é que o amor foi convertido em objeto de dominação. Quem o “possui” está mais perto de alcançar a tão sonhada felicidade. Quem não o possui é degradado como fracassado no objetivo maior, que é o de se reproduzir.
Vejo casais de amantes. Todos afirmando o amor incondicional de um pelo outro, mas não consigo acreditar.
Mas que amor é esse? Que amor se sustenta unicamente para a obtenção de prestigio? Que amor é falso consigo mesmo?
Para mim não é amor.
A insegurança leva as pessoas a dizerem que amam. Afinal o amor é louvável, contrario do tesão ou da luxuria.
O amor, elevado ao posto que devia ser destinado à felicidade, saiu da sua posição de meio e se posicionou na posição de fim. A felicidade leva ao amor e não o contrario.
Pessoas permanecem juntas em relacionamentos desgastados por insegurança de não encontrarem um outro alguém. Também por não serem vistas como mal sucedidos em seus relacionamentos.
O fato é que várias características atribuídas aos relacionamentos tornou-os cada vez mais difíceis de serem concretizados. São muitas regras para algo que deveria ser simples.
Nos vemos dependentes de distrações momentâneas. Precisamos suprir os desejos que existem, mas a forma ideal disto foi destruída.
Matheus H.
12/02/2007
Ps: Revisado.